sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Café

Café frio encima da mesa
E cigarros para a sobremesa
Hoje não acendi nenhum
Sem filtro, eles matam, um a um...

Esta noite me lembrei de você
Perdi a fome decidi não comer
E fazer do meu corpo uma metrópole
Respirando todo o ar/aço sujo, dessa cidade...

Mas primeiro preciso terminar esse café
Que amargo (não coado) desse frio aos lábios
E de olhos fechados parece a tua boca
Que me lembra o gosto do teu beijo, tártaro amargo
Asfalto.

E dá lágrima doce que rolou, viajou e caiu...
Quente.



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Fotografia


Pare para que eu te mire
E a imagem não fique tremida
Sei que tu antes da retina vives
A beijar os cílios que dançam ao vento como fita

Luz fractal, densa, aurora boreal
Não posso te perder mais uma vez
É decepção de ser anjo sem asas
Fotografia que necessita voar pra ser revelada

Caminho aberto, morro agora
Senhorita da noite está a me esperar
Com a sua foto na lua
Pra quando eu chegar

Fotografia tirada...Ah! Fita amada!
Voa...Voa...Voa que eu te peço,
Na próxima vida eu revelo
O amor já revelado, nessa estrada.
 



segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Poesia Lacrimal

Ao traçar esses versos sinto uma vontade imensa de chorar
Chorar todos os mares do mundo, submergir o próprio fundo
Há nuvens brancas e mágoas suficientes para tal feito dentro de mim.

Mas não consigo!
Não é justo!
Logo eu que canto tanta tristeza e solidão.

O choro se revela na minha escrita
E as lágrimas deitando-se estão agora neste papel
Traçando
Cantando
Chorando
Chorando o poema
O poema que minhas mãos suam
Suam pro mar
Soam pro vento
No seu movimento
Movimento da pena
De pena
Que meus olhinhos
Aqui de cima ficam a observar
Com pena por não chorar
Como os outros choram.

Agora anoitece
As lágrimas se deitam por inteiro no papel
Apago a luz
Elas querem dormir
E o poema, por hora,
(até que vosso poeta se recupere)
Retirar-se-á.

domingo, 30 de agosto de 2009

Café Expresso


Parede branca encima do preto
Da última semana
Algodão doce encima do que a gente
Não entende
O que a gente sente?
Sinta
Não sinto o inverno
Não sente o que eu sinto?
Não sinta
Não sinto o inverno  

Troco janta por café da manhã
Combino a cor da xícara com a cor das manhãs
Corretivo no tinteiro colore o dia inteiro
Descolore o colírio da tua gusta no verso
Café expresso

Obra de arte?
Não mais que preciso
Pintando o tempo presente
Encima do pronome esquecido
Açúcar na boca
Faz tudo ficar doce
E o paladar desse verso
Café expresso

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Certeza Incerta


Eu seria capaz de levantar de súbito
E causar o susto em todos os meus amigos:
 "Cara, faz tanto tempo que você espera por isso!"

Seria capaz de jogar o maço recém comprado no lixo
E correr pelo tempo corrediço
Se eu tivesse a certeza
Que você estaria lá.