quinta-feira, 29 de maio de 2014

Rotina

Não tenho criatividade
Não tenho tempo pra pensar
Não tenho como resumir
São muitas as palavras que viajam por aqui
São mudas e reservadas
São mútuas e não dizem nada
A propósito, a reserva de sexta à noite
Quem cancelou do calendário?
A rotina cansa e a gente já não lembra
Quem desmarcou ou viajou a trabalho

Se eu pudesse parar o tempo
No meio da semana
Pra ficar com você
Pra virar final de semana
E amanhã ser domingo
E não ter conversa
Que amanhã é outro dia
E que segunda-feira vai chegar

Não tenho paciência
Não tenho tempo pra criar
Uma rotina diferente
Um ditado novo pra citar
Se fosse confidencial
Pra você eu contaria
Qual é o meu dia predileto
E resumir as várias palavras
Quando a gente conversar
Mas a rotina cansa e a gente já não lembra
Quando a gente conversou
Ou se deixou de conversar.

Sebo

O prazer;
Só não foi maior ao abrir com minhas grotescas mãos
o velho-novo livro recém comprado
pois não era mais virgem.

Inevitavelmente


 Inevitavelmente
Nada se cria, tudo se copia  
Aleatoriamente
Nada se escolhe, tudo se encolhe
E assim se colhe o fruto de cada dia.

Inevitavelmente
 Nada se evita
Invariavelmente
Tudo varia
 E assim se escolhe
De tudo um pouco da vida.

Mas que nunca varie a invariável
De evitar passar na sua rua, todos os dias
A caminho do trabalho, a caminho de casa,
A caminho do nada
Inevitável que não varie a decisão aleatória
De ler em seus textos, você, prosa colorida.

Inevitavelmente nada se cria
O meu amor piegas é!
Tudo se perde
 No exercício da não-escrita se pensar que invaria o já existente.
Tudo se transforma com o olhar estrangeiro
Tudo se copia colando do colega alheio
Hei de felizes sermos pra sempre!
E reinventarmos todos os dias o amor!
E lembre-se:
Sempre há uma primeira vez, vinda do coração.





terça-feira, 27 de maio de 2014

Instante

Na Mooca a garota em seu mocassim
Em um vestido de cetim
Envolta em um mocha, um livro e um folhetinho que dizia assim:
"Contrata-se garçonete sem experiência
Mas que sirva xícaras de café com bastante destreza,
Com bastante eficiência"...

E entra o garoto de camisa xadrez 
Que pede uma xícara de chá inglês
Olha pra trás e se encanta com a timidez
Da garota que se levanta apressada
E que esbarra em alguém e esparrama também
Um tiro certeiro à queima-roupa
E o tecido manchado da camisa do rapaz encabulado...

E a garota envergonhada procurando o caminho da calçada
E as gotas de chuva que embaçam os vidros das janelas
E o rapaz pensando nela mal sabe que nunca mais a verá
A garota que saiu de casa e não estava preparada
Para se molhar...

Entra aqui que o mundo fica lá fora
São Paulo é tão frio (em seus jardins de) no' inverno
E a garoa da garota que nunca para de cair
E a garota sem emprego que não sabe para onde ir
 Bibliotecas vazias e os bares lotados
E nos becos da cidade
Rumores de um casal apaixonado;

E nos becos da cidade
Rumores de um casal apaixonado...



sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Mudança

A mudança muda, estranha
E inunda de insegurança
a cabeça de uma criança

O pesadelo irá te acordar
Se você deixar e se assim for
Sopre pra longe o que te acordou

O caminhão está chegando
Encaixote tudo, o máximo que puder
E decore a nova casa
Com o prazo que tiver!

Compre um cachorro de verdade
Daqueles que duram até a terceira idade
Abra uma poupança pros seus filhos
Pra faculdade, pros livros

Abra o jornal, passe o café 
Mergulhe na grama os seus pés
Escreva um livro,
Leve seus netos ao estádio todo domingo

O avião está chegando
Encaixote tudo, o máximo que puder
E decore a nova casa
Com o prazo que tiver!

Luminária

Ilumina o pergaminho no fundo da sala escura
Co’ lamparina límpida que reluz
O anel de Zapata e a porta que bate sozinha
Fala para o corredor das almas ansiosas
A vinda do lustre e da cera
A leitura será feita em breve
Pois o assoalho anuncia o regresso do velho ancião.

Renasce pássaro noturno
Canta boas vindas para o anoitecer
Queima teu óleo e ilumina
O alvorecer que envelhece
E o vento ventou lá no sul...

Na enseada de corredores de madeira
Quem irá lustrar o teu chão?
Quem seguirá esse caminho?
Não há nada para ser visto

E na enseada de corredores de madeira
Quem irá lustrar o teu chão?
Quem seguirá esse caminho?
Não há nada para ser visto
Não há nada para ser visto.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Top Model (magrela)

Na passarela espero passar ela
minha top model bem magrela
mas ela não passa :-(
a modelo tem a hora dela.

Eu paro e penso na passarela
e da noite, a estrela
cadê ela?
Ela não passa e passo a passo
continua pairando no espaço.

Não sabemos o seu endereço, 
e nem a sua cor favorita
mas podemos sintonizar na sua sintonia
na rádio xícara vazia
na porcelana minimalista rádio-ativa.

A minha top model modela
co'a massinha de modelar
a sua passarela
pra ela passar...

Com botas de siriguela
vermelhas e amarelas
E co' a massinha de modelar
ela modela bem magrela
pr' na hora dela
ela passar
passar ela.